segunda-feira, 23 de março de 2015

Parabéns aos colegas REVISORES: dia 28 de março

Quem mexeu no meu texto?! Parabéns aos meus caros colegas, revisores de textos!

Texto de Marcia Moreira (Conciso & Coeso)

Vocês sabiam que revisor de textos também tem uma data comemorativa. Pois é, hoje, 28 de março, é o nosso dia! Passado mais um ano de árduo trabalho de ler, de reler e de reler, finalmente chegou mais um Dia do Revisor.

Foi durante a faculdade de Letras que começou a nascer a semente do meu sonho em me tornar uma revisora de textos, pois, lá, descobri que gosto de corrigir textos e também de estudar profundamente a língua portuguesa.

No Brasil, segundo o Ministério do Trabalho e Emprego, até 2007, contávamos com mais de 8.000 profissionais na área de revisor de textos, segundo o levantamento da Relação Anual de Informações Sociais da Pasta (Rais).

Não sei se este número é pequeno ou não, mas acredito que ele está bem distribuído em todo o terrítório nacional. Então, parabéns aos mais de 8.000 profissionais revisores de textos espalhados pelo Brasil. Para comemorar, nada melhor que um texto que descreve bem o nosso trabalho, redigido pelo escritor Gabriel Perissé.


Quem mexeu no meu texto?!

“Tal como o goleiro no futebol, o revisor, na editora, é aquele que evita o pior (o gol adversário, o erro de digitação, a escorregada gramatical, a incoerência que ninguém percebeu etc.).

No entanto, é também o revisor quem mais sofre com as derrotas de um texto. Ele é o último homem (ou a última mulher) a ler o livro antes da fase de impressão gráfica, quando não há retorno…

Monteiro Lobato dizia que a tarefa do revisor era das mais ingratas. Que o erro ou a falha se escondiam durante o processo de confecção do livro para, depois de tudo pronto, aparecer na primeira página aberta, como um saci danado, pulando, debochando do revisor.

O revisor é um caçador de distrações. Uma de suas maiores alegrias (em que há uma pitada de vaidade) é encontrar deslizes do autor, perceber as gralhas que ninguém viu antes, corrigir detalhes que iam passar despercebidos.

O revisor revisa com amor.

O revisor sai de manhã, caneta em punho, em busca de verbos mal conjugados e vírgulas fugitivas.

O revisor revisa com dor.

O revisor chega em casa, à noite, com o coração cheio de parágrafos amputados e tópicos frasais remendados.

O revisor revisa com ardor.

O revisor enfrenta moinhos de vento que de fato moem o vento de palavras que o vento não leva.

Madrugadas insones, manhãs e tardes quentes, noites chuvosas, o revisor vai pulando as linhas e entrelinhas do texto em busca das ciladas armadas sabe Deus por quem.

O revisor entrega o seu trabalho bem suado e abençoado. Recebe as moedas de prata que são, na verdade, moedas de ouro. Recolhe seus instrumentos de caça, enxuga o rosto, sorri. Sabendo que o autor poderá reclamar de suas intervenções, que poderá referir-se ao revisor, gritando: quem mexeu no meu texto?!

O mérito da frase perfeita é do autor.

O crime do erro cometido será do revisor.

O revisor, porém, não se considera um injustiçado. O revisor vitimista abandonou a profissão no primeiro dia. O verdadeiro revisor, como o goleiro no futebol, sabe que nasceu para ficar ali, na pior posição de todas, para agarrar centenas de bolas difíceis e, talvez, deixar passar a mais fácil de todas.


Oços do ofíssio.”



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